A implantodontia tem como método a reabilitação oral para pacientes total ou parcialmente edêntulos, procurando restabelecer a função e estética de pacientes que por vários motivos não possuem todos os dentes na boca. Para que este procedimento se desenvolva corretamente é preciso que o implante se osseointegre ao tecido ósseo, já que a integração óssea é a chave do sucesso clínico cirúrgico. Vamos entender um pouco mais sobre a osseointegração do implante?
O que é osseointegração implante?

osseointegração implante
O termo osseointegração foi definido por Branemark na década de 60, como um contato direto entre o osso vivo e a superfície de um implante. A osseointegração é um processo biológico similar ao da cicatrização, e consiste na ancoragem do implante ao tecido ósseo. Essa ancoragem é o principal responsável pelo resultado satisfatório dos procedimentos de implantes dentários, por ter uma ligação direta na longevidade do tratamento e proporcionando melhora nos quesitos estéticos e funcionais. O processo de osseointegração tem início a partir do contato do sangue com a superfície do implante e a formação de um coágulo nos espaços livres entre a linha de perfuração e o material. O fibrinogênio presente no sangue se deposita sobre o titânio, permitindo o contato das plaquetas à superfície, liberando elementos de crescimento que atraem células indiferenciadas.
Durante a formação do coágulo, é formada uma rede tridimensional de fibrina. As células osteogênicas reconhecem a superfície do implante como estável e progridem a diferenciação em osteoblastos. A aposição óssea produz um tipo ósseo que pode ser reconhecido pelo padrão desorganizado das fibras de colágeno mineralizadas. Posteriormente, os osteoblastos são incluídos na matriz óssea e se diferenciam em osteócitos e a partir daí acontece a maturação óssea e as propriedades mecânicas aumentam.
Quanto tempo demora a osseointegração do osso?
O processo de osseointegração é fundamental na odontologia e na implantologia. Refere-se à integração biológica e funcional de um implante dentário com o osso circundante. Esse processo é essencial para o sucesso a longo prazo de um implante, pois garante a estabilidade e a capacidade de carga do implante. No entanto, o tempo necessário para a osseointegração pode variar dependendo de vários fatores. Trouxemos neste tópico o processo de osseointegração e os fatores que influenciam o tempo necessário.
O que é o processo de osseointegração?
A osseointegração é um processo biológico complexo que envolve várias etapas:
1° Etapa: Lesão cirúrgica inicial
Quando um implante é inserido no osso, ele causa uma lesão cirúrgica no tecido ósseo circundante. Isso desencadeia uma série de respostas biológicas.
2° Etapa: Coagulação sanguínea
Após a inserção do implante, ocorre uma coagulação sanguínea na área, formando um coágulo que serve como ponto de partida para a cicatrização.
3° Etapa: Inflamação e resposta imunológica
O corpo inicia um processo inflamatório e uma resposta imunológica para lidar com a lesão e preparar o ambiente para a regeneração óssea.
4° Etapa: Cicatrização e formação óssea
Gradualmente, o osso começa a se regenerar na área ao redor do implante. As células ósseas, como osteoblastos, são recrutadas para a área para formar novo osso.
5° Etapa: Osseointegração
Conforme o osso regenera e se deposita na superfície do implante, ocorre a osseointegração. Isso envolve a formação de uma conexão direta entre o osso e a superfície do implante.
Quanto tempo dura a osseointegração?
Em média, a osseointegração pode levar de 3 a 6 meses. No entanto, em alguns casos, pode ocorrer mais rapidamente, enquanto em outros, pode levar mais tempo. O tempo exato pode ser determinado pelo profissional de odontologia com base na avaliação clínica do paciente e na localização do implante.
Vários fatores podem afetar o tempo necessário para a osseointegração:
- Qualidade do osso: A densidade e a qualidade do osso no local do implante desempenham um papel importante. Em áreas com osso de alta qualidade, a osseointegração pode ocorrer mais rapidamente.
- Tipo de implante: Diferentes tipos de implantes e superfícies podem afetar o processo de osseointegração. Alguns implantes têm superfícies projetadas para promover uma osseointegração mais rápida.
- Saúde do paciente: A saúde geral do paciente desempenha um papel crucial. Pacientes com doenças crônicas, como diabetes, podem ter um processo de cicatrização mais lento.
- Técnica cirúrgica: A técnica cirúrgica utilizada pelo profissional de odontologia pode influenciar a qualidade da osseointegração. Uma cirurgia precisa e cuidadosa pode acelerar o processo.
É importante ressaltar que a osseointegração é um processo crucial para garantir a estabilidade e o sucesso a longo prazo dos implantes dentários. Portanto, os profissionais de odontologia devem levar em consideração todos os fatores envolvidos e seguir protocolos cuidadosos para garantir que a osseointegração ocorra de maneira eficaz e segura. A paciência e o acompanhamento adequado do paciente são essenciais durante esse período.
Benefícios
A revolução proporcionada na odontologia e na medicina pela descoberta dos princípios da osseointegração, possibilitaram a reabilitação de pacientes edêntulos totais, proporcionando a eles uma qualidade de vida incalculável. O tratamento por meio de implantes osseointegráveis visa manter a integridade das estruturas nobres intraorais e permite o restabelecimento funcional, fonético e estético. Para alcançar os objetivos supracitados é preciso fazer um planejamento multidisciplinar prévio à colocação do implante, bem como a proposta de tratamento deve ser apresentada ao paciente a fim de proporcionar ao paciente uma melhor qualidade de vida.
Para que o tratamento com implantes dentário obtenha sucesso e a osseointegração aconteça, é necessário a realização de exames, dentre eles os laboratoriais (hemograma, coagulograma e glicemia) essenciais para detectar alterações que contra indiquem a cirurgia e os exames de imagem, tais como radiografia e tomografia panorâmicas e periapicais, importantes para identificar alterações ósseas que contraindicam o procedimento.
Da mesma forma, é essencial fazer a análise óssea com base nos exames radiográficos associado ao estudo clínico, para verificar a altura e espessura disponíveis para os implantes. Também deve-se determinar a distância de estruturas nobres, como o canal mandibular e seio maxilar, para evitar lesões durante o ato cirúrgico. Outro exame que contribui para o planejamento da cirurgia é a tomografia computadorizada, utilizada para sanar dúvidas em relação ao osso disponível para a colocação dos implantes.
O que pode interferir no sucesso da osseointegração do implante?
Como em todo e qualquer procedimento cirúrgico, algumas situações e condições do paciente podem contra indicar o procedimento ou até mesmo reduzir as taxas de sucesso, e entre eles podemos citar:
- Doenças sistêmicas graves: diabetes e hipertensão arterial não controlada, doenças cardíacas, doença autoimune e distúrbios de coagulação sanguínea: podem ter um risco aumentado de complicações pós-operatórias.
- Utilização de medicamentos imunossupressores ou pacientes que passaram por transplantes de órgãos: esses medicamentos podem prejudicar o processo de cicatrização e aumentar o risco de infecção.
- Infecções ativas ou crônicas na boca, como periodontite ou abscessos dentários: devem ser tratadas primeiramente antes de se realizar a instalação de um implante dentário.
- Gravidez: mulheres grávidas devem adiar o procedimento já que a anestesia e os medicamentos utilizados durante o procedimento podem ser prejudiciais ao feto em desenvolvimento.
- Uso prolongado de bifosfonatos: o uso de medicamentos usados para o tratamento da osteoporose e outros problemas ósseos pode afetar a qualidade do osso e aumentar o risco de falha do implante.
- Problemas oclusais: problemas oclusais graves, pode não haver espaço suficiente para um implante dentário ou pode haver um risco maior de falha do implante.
- Pacientes com pouca densidade óssea na área onde o implante será instalado: pode ser necessário cirurgia prévia de enxerto ósseo.
- Pacientes que fumam: podem ter um risco aumentado de complicações pós-operatórias e cicatrização comprometida. Veja mais sobre: Tabagismo: um grande vilão do implante dentário
Considerações Finais: osseointegração do implante
Com base na literatura, podemos concluir que o sucesso da osseointegração está diretamente relacionado ao controle das condições clínicas do paciente diante de uma anamnese criteriosa e o acompanhamento do estado de saúde com exames laboratoriais e de imagens.
É importante após a conclusão do tratamento fazer o acompanhamento anual com a realização de radiografias para acompanhar a formação do tecido ósseo na superfície do implante e que o paciente discuta seus antecedentes médicos completos e quaisquer condições de saúde existentes com o profissional antes de considerar um implante dentário. Isso permitirá que ele avalie cuidadosamente a situação e determine se um implante dentário é a opção de tratamento mais adequada e segura para o paciente.
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