A sutura ou síntese é um princípio cirúrgico que tem a finalidade de unir e/ou aproximar a borda dos tecidos após os procedimentos cirúrgicos na cavidade bucal. Existem diferentes tipos de sutura que podem ser utilizados, cada um com características específicas e que se adequam a diferentes situações clínicas. Neste artigo, abordaremos os principais tipos de sutura comumente utilizados, bem como suas características e aplicações.
Fios odontológicos
É importante ressaltar que os fios utilizados na odontologia são agulhados, ou seja, em uma mesma embalagem, encontramos a agulha e o fio unidos. A agulha tem como finalidade levar o material de sutura através dos tecidos, causando mínima lesão tecidual e podem ter diferentes dimensões, calibre e forma. A seleção da agulha vai depender de fatores como acessibilidade e tipo do tecido.
Em relação ao fio, o calibre vai ditar sua força tênsil e a escolha do mesmo dependerá de suas características de comportamento físico e biológico em relação ao processo de cicatrização do tecido a ser suturado. As suturas podem ter fios absorvíveis e fios não-absorvíveis. As suturas absorvíveis são aquelas que são gradualmente digeridas pelo organismo e não requerem remoção. Já as suturas não absorvíveis são mantidas no local e necessitam de remoção manual após a cicatrização completa.
Suturas não-absorvíveis
A odontologia está sempre em constante evolução, e isso se aplica principalmente ao campo dos biomateriais e de suturas odontológicas. Novos materiais e técnicas são desenvolvidos para melhorar a eficácia e a segurança do processo de sutura, resultando em uma cicatrização mais rápida e com menos complicações.
Os fios não absorvíveis apresentam diversas vantagens, dentre elas:
- Estabilidade a longo prazo: eles mantêm sua integridade estrutural durante todo o processo de cicatrização e podem permanecer no local por um período mais prolongado.
- Resistência à tração: os fios têm alta resistência à tração, permitindo que mantenham a tensão adequada e suficiente para a união dos tecidos durante o processo de cicatrização.
- Permanência controlada: a permanência é determinada pelo profissional, que pode optar por removê-los quando considerar apropriado, com base na evolução do processo de cicatrização.
- Redução do risco de reações alérgicas: os fios são geralmente fabricados a partir de materiais sintéticos, o que reduz significativamente o risco de reações alérgicas em comparação com fios absorvíveis fabricados a partir de matéria prima orgânica.
- Cicatrização previsível: a estabilidade e permanência controlada dos fios não absorvíveis, trazem um melhor controle sobre o processo de cicatrização, o que pode levar a resultados mais previsíveis e satisfatórios.
- Controle da tensão: com os fios não absorvíveis, é possível aplicar uma tensão mais precisa nos tecidos durante a sutura, favorecendo a união adequada das bordas da incisão.
Fio de PTFE
O fio de PTFE, também conhecido como fio de teflon, é uma opção de material para suturas não absorvíveis. É muito utilizado em cirurgias de ROG, RTG e na implantodontia, por apresentar biocompatibilidade e características favoráveis nesses casos cirúrgicos, como a disponibilidade em diferentes tamanhos e configurações, permitindo que o profissional selecione a opção mais adequada para cada procedimento específico.
É um fio sintético, monofilamentar, biologicamente inerte e quimicamente não reativo, tem baixo coeficiente de atrito e tem memória mínima ao manuseio. O PTFE é resistente à degradação química e biológica, o que o torna uma opção de fio de sutura durável e capaz de manter a integridade estrutural por um período adequado.
Além disso, o material de PTFE possui uma superfície lisa e não aderente, o que reduz o risco de acumulação de bactérias e facilita a limpeza do local da sutura durante o processo de cicatrização.
Considerações Finais: suturas não absorvíveis
Por ser um princípio cirúrgico fundamental, a sutura deve ser realizada com muita cautela e critério, por isso, é importante que o profissional considere cuidadosamente a escolha do material do fio, que deve ser baseada nas características específicas do procedimento, nas preferências do mesmo e nas necessidades individuais do paciente. É importante ter uma manipulação adequada do fio de sutura, minimizando complicações e maximizando os resultados.
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